Há alguns dias durante uma sessão ordinária da Câmara de Capão Bonito o presidente da Casa de Leis fez um duro discurso em defesa do Legislativo que neste ano entre outras coisas decidiu por acabar com o feriado do Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro no município.
O chefe do Legislativo foi enfático em afirmar que no seu entender a revogação da lei que autorizava o feriado foi uma vitória para a classe produtiva do município, principalmente devido ao momento de grande crise econômica que afeta o país.
Atendendo a um apelo de empresas locais que reclamavam há anos do fato de no município ter quatro feriados no período de menos de quarenta dias, (Finados em 02 de novembro, Proclamação da República em 15 de novembro, Consciência Negra em 20 de novembro, Dia da Padroeira em 8 de dezembro) os vereadores retiraram um dos feriados para que o comércio tivesse ao menos uma amenização de seus prejuízos com um dia a mais de trabalho.
Para diminuir eventuais protestos dos defensores da manutenção do feriado, os legisladores lembraram que o ideal seria que as entidades em defesa dos afrodescendentes realizassem atividades culturais para comemorar a data, como ocorreu nas escolas municipais com inúmeras atividades lembrando da importância da raça negra na formação do país e também as injustiças que os afrodescendentes sofreram e ainda sofrem no país.
Alguns podem até ter criticado o fim do feriado dizendo que o Brasil deve dar uma atenção mais efetiva ao tema por ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão.
Não há como esconder que o Brasil cometeu uma atrocidade ao manter a escravidão até poucos anos do início do século XX, este atraso deixou sequelas profundas que não há feriado que possa remediar, mas punir a classe produtiva e até mesmo os trabalhadores de uma pequena cidade impondo um feriado num mês já carregado de dias de comemorações não é a melhor forma de recuperar o desgaste moral e ético que a escravidão causou à Nação.
Sempre que podemos devemos coibir qualquer tipo de manifestação racista e também é nosso dever enaltecer as qualidades da raça negra que representa grande parcela da população brasileira, mas não devemos nos esquecer que ao proporcionarmos a possibilidade de que muitos cidadãos possam trabalhar favorece, principalmente, aqueles cidadãos que mais precisam.
Apesar de enfrentar as críticas de setores da sociedade local, a Câmara agiu com coragem e tomou a decisão que beneficia milhares de capão-bonitenses levando em conta que no atual momento econômico brasileiro o melhor seria dar maior oportunidade à classe produtiva, que é muito prejudicada no país.
Que a valorização dos afrodescendentes seja uma tônica local e nacional, mas sem que haja prejuízo aqueles que querem trabalhar num momento em que a cidade, o estado e o país mais precisam produzir.









