Expressão do ano é uma alerta para deterioração mental

Atualmente, o conceito de “brain rot” tem ganhado popularidade, especialmente nas redes sociais, onde se tornou uma maneira de descrever o cansaço mental extremo causado pelo consumo excessivo de conteúdo digital.

A expressão do ano “brain rot” (“podridão cerebral”, em inglês), como definiu o Dicionário Oxford, nesta última segunda-feira (2), obteve 130.000 buscas ao longo de 2024.

“Brain rot’’, reflete um fenômeno real de desgaste cognitivo, afetando a nossa capacidade de concentração, aprendizado e até mesmo o bem-estar emocional. Ele pode ser entendido como uma forma de exaustão mental que surge quando o cérebro é exposto a um fluxo constante de informações irrelevantes ou excessivas. Esse conceito é frequentemente associado ao consumo incessante de conteúdo na internet – como vídeos curtos, memes, redes sociais e jogos – que pode resultar em uma sensação de desconexão, dificuldade de foco e até uma perda de interesse por atividades mais desafiadoras ou significativas.

Embora o termo “brain rot” tenha se tornado associada à cultura digital, ela remonta ao século XIX, muito antes de fenômenos como vídeos de gatos ou as tendências do TikTok dominarem o entretenimento online. Henry David Thoreau foi o primeiro a registrar essa frase em seu famoso livro de 1854, Walden, no qual reflete sobre sua experiência ao viver de maneira simples na natureza.

No livro, Thoreau observa que a sociedade tende a preferir ideias simples, ao invés das que exigem maior esforço mental: “Enquanto a Inglaterra tenta curar a podridão da batata, ninguém tenta curar a podridão do cérebro – que prevalece muito mais amplamente e fatalmente?”

A expressão remete à ideia de que, assim como o processo de decomposição de um organismo, a mente sofre um desgaste semelhante ao se alimentar de informações superficiais e vazias, resultando em uma perda gradual de capacidades cognitivas e emocionais.

O “brain rot” tem várias causas e muitas delas estão relacionadas ao estilo de vida moderno e ao uso excessivo de tecnologias como:

Consumo excessivo de mídia: A exposição contínua a conteúdos rápidos, como os oferecidos por plataformas como TikTok e Instagram, estimula a dopamina, criando uma sensação de prazer instantâneo. No entanto, essa satisfação momentânea pode ser viciante, resultando em uma diminuição na capacidade de manter o foco por longos períodos.

Falta de desafios cognitivos: Quando nos habituamos a consumir conteúdos que exigem pouca ou nenhuma reflexão, o cérebro para de ser desafiado de maneira construtiva. O consumo de informações superficiais prejudica a memória de longo prazo e a capacidade de pensar criticamente.

Estresse e ansiedade: A pressão constante para estar “conectado” e atualizado pode causar ansiedade, que também contribui para a sensação de sobrecarga mental. A combinação de um cérebro sobrecarregado com informações desnecessárias pode levar ao que muitos chamam de “brain rot”.

Falta de descanso mental: A rotina acelerada e a falta de pausas adequadas contribuem para a fadiga cognitiva. Quando o cérebro não tem tempo para processar as informações de forma saudável, os efeitos negativos começam a se acumular.

Felizmente, existem diversas estratégias que podem ajudar a prevenir ou até reverter os efeitos do “brain rot”. Algumas das práticas recomendadas são: limitar o tempo de tela, realizar exercícios mentais e estimular o hábito da leitura, fazer pausas e desconexão da internet e estabelecer rotinas saudáveis.

Com a adoção de hábitos saudáveis e a conscientização sobre a importância de equilibrar o tempo de tela com atividades que desafiem a mente, é possível mitigar ou até reverter os efeitos desse desgaste mental. Cuidar da saúde do cérebro é fundamental para manter o bem-estar e a produtividade a longo prazo.

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