Falsos entregadores: projeto de lei prevê até 14 anos de prisão para crimes com disfarce profissional

Criminosos que se passam por motoboys, entregadores, técnicos, motoristas de aplicativo ou prestadores de serviço têm utilizado a falsa aparência profissional para conquistar a confiança das vítimas, acessar residências, condomínios e estabelecimentos comerciais e facilitar a prática de furtos e roubos. A modalidade tem se tornado cada vez mais frequente não apenas nos centros urbanos e vêm gerando impactos que vão além do prejuízo patrimonial, ao comprometer a credibilidade de categorias profissionais essenciais para o funcionamento da vida cotidiana.
Com o objetivo de enfrentar esse cenário, o Projeto de Lei 3030/2026 tem origem em anteprojeto elaborado por Fernando Moreira, advogado especialista em Direito Empresarial, Governança e Compliance e pré-candidato a deputado federal por São Paulo. A proposta prevê o endurecimento das penas para furtos e roubos praticados mediante falsa condição de prestador de serviço ou falsa identificação profissional.
“A proposta parte de uma preocupação central: proteger a população sem estigmatizar os trabalhadores honestos. Ao contrário, o projeto busca preservar a credibilidade de categorias essenciais à vida cotidiana, punindo com mais rigor quem se aproveita da confiança social depositada nesses profissionais para enganar vítimas, acessar residências, condomínios ou estabelecimentos comerciais e praticar crimes patrimoniais”, explica Moreira.
Pelo texto, o furto praticado mediante falsa condição de prestador de serviço ou falsa identificação profissional passa a ter pena de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa. No caso do roubo, a pena prevista é de 8 a 14 anos de reclusão, também com multa.
A justificativa do projeto destaca que a conduta possui gravidade ampliada porque o criminoso não apenas subtrai patrimônio, mas explora deliberadamente a boa-fé da sociedade e prejudica milhões de trabalhadores legítimos. Dessa forma, a proposta diferencia claramente o profissional honesto daquele que utiliza fraudulentamente uma falsa condição profissional como instrumento para a prática criminosa.
“O objetivo não é criar restrições ao exercício profissional, mas reforçar a segurança pública, proteger as vítimas e preservar a confiança necessária ao funcionamento dos serviços modernos de entrega, transporte, assistência técnica e atendimento domiciliar”, ressalta o advogado.

Veja também