História manchada

A edição da semana passada deste jornal noticiou que o Centro de Assistência Social fundado pelo Padre Henrique na década de 70 do século passado, está sofrendo com um leilão para quitar dívidas trabalhistas.

Talvez este semanário tenha noticiado as páginas mais delicadas da história desta instituição, fundada por um sacerdote católico que somente fez e queria fazer o bem para as pessoas que mais precisam.

O mais triste nesta história é que a dívida contraída pela instituição não foi originada pelos serviços sociais feitos pelo CAS, mas sim por serviços contratados pela prefeitura de Capão Bonito.

Na realidade, desde 2012 o Centro de Assistência Social era usado pela prefeitura local para terceirizar serviços que deveriam ser feitos pela Secretaria Municipal de Saúde através de servidores concursados.

Mas estes mais de 5 anos em que o CAS foi contratado para terceirizar um serviço que deveria ser de responsabilidade do município, está causando hoje um prejuízo de milhões de reais e que pode levar a perda de considerável patrimônio do centro, patrimônio este que foi conquistado a duras penas pelo saudoso Padre Henrique e ainda com ajuda do exterior, principalmente de apoiadores da Holanda, terra natal do padre.

A justiça pode ter afastado a responsabilidade legal da prefeitura nessas ações trabalhistas por força da lei, mas a responsabilidade moral por este prejuízo ocasionado ao CAS é culpa total do poder público municipal, que buscou uma solução para seus problemas e jogou no colo de uma instituição que atende famílias menos favorecidas um prejuízo milionário.

Na realidade, a prefeitura por anos evitou realizar concursos públicos para contratação de servidores para as mais de uma dezena de equipes de ESF (Estratégia de Saúde da Família) que atuavam na atenção básica do município e em contrapartida fazia as contratações através do Centro de Assistência Social. Importante lembrar que antes do CAS, a Santa Casa local e o Asilo São Vicente de Paula também prestavam esse auxílio, mas desistiram de se manter nessa prestação de serviço exatamente por temer que prejuízos como os que foram causados à instituição do Padre Henrique.

Agora ficamos na torcida para que a administração do CAS tenha total êxito para sanar esse grande problema e continue fazendo com que o Centro prossiga com a tarefa idealizada pelo seu fundador.

Já a municipalidade, que se livrou desta conta milionária, sempre terá essa mancha em sua história.

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