Interferência indevida

Neste próximo domingo serão realizadas as eleições para escolhas do futuro presidente do Brasil, juntamente com os governadores de todos os estados e Distrito Federal, os membros do Senado Federal, Câmara Federal e das Assembleias Legislativas.

Mais uma vez a eleição, principalmente a nível federal, transcorreu num clima de tensão e de troca de acusações dos dois lados.

Lamentavelmente até mesmo o tema religião foi colocado em discussão, alguns afirmaram que o início da discussão teria partido de uma fake news, já outros dizem que quando um dos candidatos decidiu atacar a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) colocou ainda mais gasolina num fogo que já estava alto.

Infelizmente enquanto perdeu-se muito tempo discutindo temas, que na maioria das democracias evoluídas não estariam em pauta, aqui no nosso Brasil o que mais se discutiu e se comentou no período de campanha eleitoral foram denúncias de irregularidades praticadas pelos candidatados, alguns de seus parentes e de seus aliados.

E com isso quem perdeu foi o país, pois não se teve a oportunidade de verem discutidos temas que são importantes para o futuro da nossa nação, como de que forma vamos melhorar a educação pública, sugestões para a melhoria do nosso SUS (Sistema Único de Saúde), de que forma vamos também diminuir os altos índices de impostos que pagamos.

Em detrimento destes temas importantes, o que vimos foram escândalos e uma discussão sobre acabar ou não com Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Não é de hoje que igrejas têm se apropriado de espaços que deveriam ser dos partidos políticos no nosso país. Há alguns anos, igrejas, geralmente tidas como neopentecostais, começaram a lançar candidatos em vários estados do país e chegaram até mesmo a serem fundadores de partido político, que é o caso do Republicanos, como todos sabem é controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus.

Existem também alguns pastores que são mais divulgados não pelas suas pregações sobre a bíblia, mas por seus posicionamentos políticos. E como era de se esperar, existem muitos destes ditos religiosos envolvidos nos recentes escândalos que abalaram o país, que foi o rumoroso caso do banco Master, que vai custar bilhões aos cofres públicos brasileiros.

O que se lamenta com a interferência religiosa na política é que parece que os ensinamentos e exemplos de Jesus Cristo estão sendo esquecidos por muitos desses que estão nos púlpitos pelas igrejas de todo o país. Se havia algo que Jesus condenava e que o deixava revoltado, era o uso do templo para ganhar dinheiro e prestígio junto aos governantes.

Depois destes meses de campanha nos resta cumprir nosso dever cívico como eleitores, escolhermos os candidatos de nossa preferência, pesando sempre que estes nossos escolhidos beneficiem as pessoas que mais precisam.

Quem sabe nas próximas eleições não necessitemos mais ver coisas como essa questão da padroeira do país ser alvo de discussão numa campanha. Se essa interferência indevida num tema religioso não voltasse mais a ocorrer já seria um avanço.

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