O Conjunto Habitacional Buri G levou um bom tempo para ser concluído. Foram cerca de dez anos até que finalmente pudesse ser entregue.
Porém, o que deveria ter sido um alívio, na verdade se transformou num grande problema.
As residências vazias estão sendo ocupadas por pessoas que alegam que os imóveis não teriam dono ou estariam abandonados. São várias as justificativas para as invasões, entre elas, desinteresse ou a não precisão do proprietário sorteado, falta de condições financeiras para locar um imóvel, etc.
Além disso, os supostos invasores afirmam que alguns domicílios estão sendo vendidos a preços simbólicos ou até mesmo alugados.
A moradora Letícia é uma dessas pessoas que entraram nos imóveis por conta. Ela alega que a casa em que está vivendo com seus filhos, atualmente sem água e sem luz, aparentemente não tem dono. Segundo a moradora, ela procurou a prefeitura para saber mais detalhes a respeito das casas, mas ninguém soube informar. Maria Rosa vive nas mesmas condições. Ela foi uma das primeiras a ocupar uma residência no bairro.
De acordo com ela, a casa onde vive atualmente com duas crianças pequenas não teria dono e que deveria ser disponibilizada para um suplente. Disse ainda que sua mãe havia ficado de suplente, porém, ela já é falecida e então, teria apresentado uma documentação, na tentativa de transferir para seu nome.
Várias outras pessoas também fizeram o mesmo, mas não querem falar. O número não é oficial, mas estima-se que pelo menos 10 casas já tenham sido invadidas.
Segundo o agente de Habitação João Paulo Francisco, citado pelas moradoras, informou que todo esse processo desde a entrega, averiguações sobre condições dos proprietários, possíveis punições, entre outros, não cabem à prefeitura.
A CDHU é quem deverá resolver tais questões e provavelmente nos próximos dias, já que segundo ele, existe uma visita marcada para Buri.
João Paulo disse ainda que apesar da alegação dessas moradoras, em que afirmam terem filhos pequenos e não terem condições de locar um imóvel, os critérios estabelecidos pela empresa são outros.
O Conjunto Habitacional “Edmundo Pezzoni” – Buri G foi inaugurado em 16 de dezembro de 2016 sem energia elétrica nas unidades habitacionais, e segundo informações, esse é um dos principais motivos para que muitos mutuários não se mudassem de imediato para o empreendimento.
Outro motivo para o conjunto possuir alguns imóveis desocupados é a demora na conclusão do mesmo, seu início foi em 2007 (sorteio dos mutuários e suplentes – gestão Jorge Loureiro), 10 anos se passaram e nesse período pessoas faleceram, mudaram para outras cidades, ou não foram localizadas pela CDHU, dificultando a adequação de documentos. Nesses casos de não adequação, a CDHU segue a lista de suplentes. Quanto à fiscalização de quem possui ou não algum imóvel em seu nome, é de responsabilidade da CDHU.
A Prefeitura Municipal de Buri, em nenhum momento incentivou ou autorizou famílias a invadir as unidades desocupadas, pois apenas a CDHU pode autorizar essa ocupação, onde o mutuário ou suplente assina um Termo de Entrega das chaves.
Todas as pessoas que procuraram a prefeitura foram informadas sobre o assunto.
Segundo informações da própria CDHU, a possibilidade dessas famílias que ocuparam as residências de forma indevida ficarem nas unidades habitacionais é pequena. A CDHU está tomando as devidas providências para a retomada dos imóveis o mais breve possível.









