Planejamento Previdenciário: a diferença entre se aposentar e se aposentar bem!

Sabrina S. Silva Pastorelli, advogada, especialista em Direito Previdenciário; atua há 11 anos na defesa de direitos sociais e na orientação estratégica de planejamento previdenciário

 

Caro leitor, com certeza você já ouviu as seguintes frases: “Quando chegar minha hora, eu vejo isso.”; “O INSS calcula automaticamente o melhor valor.”, ou ainda, “Já contribuo há anos, então está tudo certo.”

Porém, essas afirmações não refletem a realidade jurídica.

O sistema previdenciário brasileiro é complexo, dinâmico e profundamente técnico. Reformas constitucionais, regras de transição, modalidades distintas de aposentadoria e critérios de cálculo tornam praticamente impossível que o segurado, sozinho, consiga identificar qual é o seu melhor cenário.

É nesse contexto que o planejamento previdenciário se torna uma ferramenta essencial.

Afinal, o que é planejamento previdenciário?

Planejamento previdenciário é a análise técnica e estratégica da vida contributiva do segurado, com o objetivo de identificar: O melhor momento para se aposentar; A regra mais vantajosa aplicável ao seu caso; o valor estimado do benefício em cada cenário possível; eventuais períodos que precisam ser regularizados, e ainda estratégias lícitas para melhorar o valor da futura aposentadoria.

Ou seja, organizar o futuro com segurança jurídica. Pois, um dos maiores equívocos é acreditar que o sistema sempre concede o benefício mais vantajoso.

O INSS analisa o pedido com base nas informações disponíveis e na regra requerida. Contudo, muitas vezes o segurado não tem ciência de que poderia se enquadrar em regra distinta e mais favorável.

A ausência de planejamento pode resultar em perdas financeiras significativas e permanentes, pois, após concedido o benefício, nem sempre é possível revisar a escolha feita.

A aposentadoria é, para a maioria das famílias, a principal fonte de renda na fase de maior vulnerabilidade da vida. Não há espaço para decisões baseadas em suposições.

Deve ser lembrado que em cidades de médio porte, a renda previdenciária representa parcela expressiva da movimentação econômica local, pois aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais sustentam famílias, impulsionam o comércio e garantem dignidade à população idosa.

Quando um segurado deixa de receber o valor correto, não há apenas prejuízo individual — há impacto coletivo.

Por isso, o planejamento previdenciário não é um luxo reservado para poucos. É uma medida de prudência, comparável ao planejamento financeiro ou tributário. Por meio dele você terá previsibilidade da sua futura aposentadoria; redução de riscos; segurança jurídica e tranquilidade familiar.

A aposentadoria não deve ser tratada como um evento eventual, mas como uma etapa previsível da vida, que exige preparação técnica adequada. A diferença entre simplesmente se aposentar e se aposentar bem está na informação qualificada.

Planejar é exercer um direito com consciência. É transformar anos de contribuição em segurança futura. É garantir que o esforço de uma vida inteira seja respeitado.

A futura aposentadoria se constrói no presente!

 

 

Veja também