Maria Goretti da Silva, Psicóloga – CRP 06/149116
SerMentes – Reflexões sobre saúde mental
Em meio ao fluxo automático da rotina, muitas vezes seguimos vivendo sem notar o que acontece ao nosso redor e dentro de nós. É nesse espaço de pausa e observação que a saúde mental começa a ganhar voz
Há noites em que o corpo está exausto, mas a mente continua desperta. Os pensamentos aceleram, as preocupações do dia ganham proporções gigantescas no silêncio do quarto e o ato de dormir se torna uma batalha. Quando essa cena se repete com frequência, o sono pode estar tentando nos mostrar que algo do lado de dentro precisa urgentemente de atenção.
O preço do ritmo acelerado
Vivemos imersos em um excesso de estímulos, cobranças e informações. Passamos o dia resolvendo problemas, cumprindo prazos e tentando dar conta de tudo. O grande erro é acreditar que a mente possui um interruptor que pode ser desligado instantaneamente assim que encostamos a cabeça no travesseiro.
Na falta de momentos de desaceleração ao longo do dia, o cérebro escolhe justamente a hora de deitar para “processar” as pendências:
– A conversa que ficou mal resolvida;
– A ansiedade com os compromissos de amanhã;
– O medo do futuro e os conflitos internos que silenciamos enquanto estávamos ocupados.
Com o tempo, essa falta de repouso gera um ciclo perigoso. Noites mal dormidas resultam em irritabilidade, falhas de memória, cansaço crônico e ainda mais ansiedade durante o dia. Cria-se, então, uma engrenagem difícil de romper: a mente acelerada rouba o sono, e a falta de descanso aumenta o desgaste emocional.
Além da “higiene do sono”
É claro que pequenas mudanças práticas ajudam — e muito. Diminuir as luzes da casa no fim da noite, afastar-se das telas antes de deitar e criar um ambiente tranquilo são passos fundamentais. No entanto, é preciso olhar para além dos hábitos superficiais.
Muitas vezes, a insônia não é um problema do ambiente, mas sim do peso daquilo que estamos carregando em silêncio. Nem toda noite em claro é sinal de um transtorno, mas a frequência dessas ocorrências é um termômetro valioso da nossa qualidade de vida.
Descansar verdadeiramente não é apenas apagar o corpo; envolve também encontrar caminhos para aliviar a carga que a mente sustenta. Quando o silêncio da noite parecer barulhento demais, talvez seja o momento de buscar um espaço seguro de escuta profissional para desatar os nós que impedem o descanso.
Cuidar da saúde mental começa, muitas vezes, com um convite à autopercepção:
Como você realmente está cuidando do seu momento de pausar?









