Uma questão de coerência

Na semana passada este jornal noticiou a realização de uma competição entre alunos de faculdades de medicina de cidades do Estado de São Paulo

em Capão Bonito.

Em nossa ampla matéria, foram colocadas as versões daqueles que defendiam o evento, como das reclamações de moradores da cidade que fizeram várias críticas à sua realização em locais públicos.

Os defensores da competição, em sua maioria, eram ligados à administração municipal, que cedeu equipamentos públicos para a pseudo competição.

Pela tese dos defensores do evento, a grande vantagem de sua realização na cidade foi o aquecimento de parte do comércio, principalmente de quem vende refeições e lanches e que teriam faturado grandes somas que inclusive superariam meses de venda.

Já aqueles que criticaram a realização da competição entre os estudantes de medicina, questionaram a bagunça, o lixo, o som alto das festas e a cessão de patrimônio público para fins não tão relevantes.

O claro nisso tudo, é que a dita competição esportiva é apenas um subterfúgio para a realização de festas regadas a muita bebida, com som alto, músicas com apologia a drogas.

Ao poder público cabe medir se a realização dessa pseudo competição é aquilo que se espera deixar de imagem para jovens locais. Nem sempre estimular a venda de alguns setores do comércio vale a pena pelo exemplo que se tem. Senão, no futuro, um gestor público pode até facilitar a comercialização de drogas que sabidamente proporcionam lucros estratosféricos, se isso já não estiver ocorrendo em algum lugar do Brasil.

Será que esta festança é algo que queremos que nossos filhos e netos tenham oportunidade de frequentar?

Nada contra quem quer este tipo de evento, mas ele não deveria ser feito em local público, cedido pelo poder público.

Aqueles que acham normal festas como as promovidas pelos jovens estudantes de medicina, deveriam entender que elas podem até serem feitas, mas em local privado e com controle de entrada para evitar a presença de menores.

O errado nisso tudo foi permitir que espaço público fosse usado para péssimos exemplos para nossa juventude, a menos que a atual gestão municipal tenha como

meta que os jovens da cidade ajam como no exemplo deixado nessas festanças pra lá de negativas feitas pelos jovens estudantes de medicina.

Agindo da forma como fez, o poder público local perde credibilidade, pois como poderá cobrar que outras festas tenham um comportamento adequado.

No fundo, tudo não passa de uma questão de coerência.

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