Gastos exagerados

A matéria que ocupou maior espaço deste jornal na sua edição passada, trazia um amplo relatório sobre os gastos das câmaras municipais das cidades que compõem as regiões do Alto Vale e Sudoeste do Estado, mais precisamente dos 17 municípios que fazem parte do Condersul (Consórcio de Desenvolvimento das regiões sul e sudoeste do Estado).

Graças ao trabalho realizado pela equipe de jornalismo deste semanário, pôde ser constatado, após verificação junto ao Portal Transparência do Tribunal de Contas do Estado, que o Poder Legislativo da região custou em 2025 quase 45 milhões de reais aos contribuintes das cidades que pertencem ao Condersul.

Numa região com os piores IDHs (Índices de Desenvolvimento Humano) de todo o território paulista, ter um gasto de quase 50 milhões de reais com câmaras municipais anualmente, não deixa de ser uma afronta e, no mínimo, é uma falta de prioridade, já que há muito ainda a ser feito nas nossas cidades e gasta-se muitos recursos com algo que poderia custar infinitamente menos para os cofres públicos.

Ninguém é contra a existência das câmaras municipais, mas ao longo dos anos nossos legisladores exageraram na conquista de novos benefícios e na criação de uma estrutura feita para manter seus trabalhos, que está sugando demasiadamente recursos públicos. No passado, vereadores não tinham salário, depois passaram a receber uma ajuda de custo para despesas como vestuário, mas como em tudo que é público no Brasil, aí começaram os exageros e hoje um vereador tem um belo salário e vários servidores para trabalhar em sua função. Um exemplo é a Câmara de Capão Bonito, que conta com 13 vereadores, mas a Câmara local tem mais 25 servidores para manter a estrutura em funcionamento.

Salários altos, assessores, viagens, despesas com emendas impositivas e tantos outros gastos que foram ampliados com o passar dos anos pelos nossos legisladores, mas que são custeados pelos impostos que são pagos pelos cidadãos.

Com estes gastos exagerados, o Poder Legislativo, que tem a obrigação de fiscalizar os gastos do Executivo, dá um péssimo exemplo gastando os recursos municipais de forma desenfreada e muitas vezes de forma irresponsável.

Se nossos legisladores continuarem gastando sem controle e a cada ano mais e mais, teremos rotineiramente aumento dos orçamentos das câmaras, mas ao custo dos impostos que são pagos pelos cidadãos, por isso é importante que a opinião pública comece a pressionar para que aqueles que deveriam fiscalizar passem a dar exemplo e passem a controlar seus gastos e se possível gastem menos, pois os valores que custam as câmaras estão pra lá de exagerados.

Veja também