Internações por dependência de cocaína aumentam 20% no SUS em cinco anos

As internações hospitalares relacionadas à dependência de cocaína no Sistema Único de Saúde (SUS) registraram aumento de 20% nos últimos cinco anos, segundo levantamento realizado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) com base em informações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH-SUS).
Conforme o estudo, os homens representam a maior parte das hospitalizações, respondendo por 74,2% dos casos registrados no período analisado. A faixa etária mais afetada é a de 18 a 44 anos, que concentra aproximadamente 80% das internações. O levantamento também aponta que o custo médio de cada internação relacionada à dependência de cocaína supera R$ 900, gerando despesas significativas para o sistema público de saúde.

Os números foram divulgados inicialmente pelo jornal O Globo e refletem o agravamento dos quadros clínicos associados ao uso da droga, incluindo transtornos psiquiátricos, complicações cardiovasculares, crises de ansiedade, episódios psicóticos e outras condições que frequentemente exigem atendimento hospitalar especializado.

Os dados alinham-se com os resultados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado em 2025. De acordo com a pesquisa, cerca de 1,2 milhão de brasileiros apresentam critérios de dependência de cocaína ou crack, o equivalente a 0,72% da população nacional. O estudo estima ainda que, aproximadamente 3 milhões de pessoas fizeram uso de cocaína nos 12 meses anteriores à pesquisa, enquanto 9,3 milhões relataram já ter experimentado a substância ao menos uma vez na vida.

Embora o levantamento indique que o consumo recente de cocaína e crack permaneceu relativamente estável na última década, especialistas alertam para a elevada taxa de dependência entre os usuários.

Outro dado considerado preocupante é o baixo acesso ao tratamento especializado: apenas 11,7% dos dependentes relataram ter recebido algum tipo de atendimento voltado à recuperação.

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