Maria Goretti da Silva, Psicóloga – CRP 06/149116
SerMentes – Reflexões sobre saúde mental
Em meio ao fluxo automático da rotina, frequentemente seguimos vivendo sem notar o que acontece em nosso mundo interno. É nessa pausa para a observação que a saúde mental ganha voz
Todos nós já contamos as horas para o fim de um dia cansativo ou aguardamos com expectativa a chegada do fim de semana. Acreditamos que algumas horas de descanso serão suficientes para recuperar as energias e começar tudo outra vez.
Na maioria das vezes, isso realmente acontece.
Mas existe um tipo de cansaço que um boa noite de sono não consegue aliviar.
O despertador toca. O corpo se levanta. A rotina recomeça. As responsabilidades continuam sendo cumpridas. Ainda assim, permanece uma sensação difícil de explicar, como se descansar já não fosse suficiente para aliviar aquilo que pesa por dentro.
O desgaste que ninguém vê
Esse cansaço nem sempre está relacionado à quantidade de trabalho ou ao número de horas dormidas.
Muitas vezes, ele nasce do esforço silencioso de viver preocupado com aquilo que ainda nem aconteceu, de tentar corresponder às expectativas dos outros, de enfrentar conflitos sem conseguir falar sobre eles ou de acreditar que precisamos ser fortes o tempo todo.
É um desgaste que acontece aos poucos.
Quase sem perceber, a alegria deixa de aparecer com a mesma frequência. A paciência diminui. O interesse pelas coisas simples vai desaparecendo. E a vida começa a parecer apenas uma sequência de tarefas que precisam ser cumpridas.
Do que a sua vida realmente precisa?
Nessas horas, talvez a pergunta mais importante não seja:
“Quando vou conseguir descansar?”
Mas sim:
“O que dentro de mim está precisando de cuidado?”
Porque, às vezes, o que está exausto não é apenas o corpo.
- Pode ser uma mente que nunca consegue desacelerar.
- Uma emoção guardada há tempo demais.
- Uma rotina que deixou de respeitar seus próprios limites.
- Ou uma vida que, pouco a pouco, perdeu espaço para aquilo que também alimenta o coração.
O descanso que não vem do sono
Reconhecer esse tipo de cansaço não é sinal de fraqueza. É um ato de consciência.
Assim como o corpo precisa de repouso para recuperar as forças, nossa vida emocional também precisa de pausas, de vínculos verdadeiros, de momentos de leveza e de cuidado.
Dormir continua sendo essencial.
Mas, em alguns momentos da vida, recuperar a disposição exige algo mais profundo: olhar para dentro e perguntar, com honestidade, o que realmente tem consumido nossa energia.
Há um descanso que acontece quando fechamos os olhos.
E existe outro, muito mais restaurador, que começa quando voltamos a cuidar de nós mesmos.
Cuidar da saúde mental começa, muitas vezes, com uma pergunta simples:
Descansar já não parece suficiente… do que, realmente, sua vida está precisando?









