O Estado de São Paulo deve reforçar seu parque industrial e investir em suas fontes de energias renováveis durante o governo de João Doria, do PSDB.
Quem anunciou essa meta foi o secretário estadual Marcos Penido, titular da “superpasta” de Energia, Saneamento, Recursos Hídricos e Meio Ambiente.
Quando indagado sobre sua posição a respeito de energias renováveis, até porque Sorocaba tem produção industrial de pás eólicas utilizadas na energia extraída dos ventos, Penido avaliou que o parque eólico no Brasil está mais concentrado no Nordeste do país, região com foco nos ventos, e as indústrias responsáveis por essa produção estão em São Paulo.
“E nós estaremos criando condições para essas indústrias cada vez mais se instalarem em São Paulo, dando condições para elas estarem produzindo”, disse. “Porém, temos outras fontes de energias renováveis, que nós devemos estar buscando”, acrescentou.
Penido também comentou a decisão do governador João Doria de unir em uma única secretaria as áreas de energia, saneamento, recursos hídricos e meio ambiente. “É uma ação que precisava acontecer. A coragem do nosso governador João Doria fez com que essas pastas que estavam separadas pudessem estar juntas. São pastas que têm muita relação entre elas: uma ação de despoluição, de melhoria da água, nós estamos no meio ambiente, e uma ação do abastecimento, do saneamento básico, e essa água pode gerar energia. As ações são integradas e nada melhor para se ter um objetivo, um resultado melhor, do que tudo se caminhe junto”.
O Atlas Eólico Brasileiro, de 2001, estima que a potência disponível em todo o território nacional ultrapasse os 140 mil mega-watts (MW), cerca de 10 vezes a capacidade da usina de Itaipu. No entanto, a capacidade eólica atualmente instalada é de apenas 728 MW, o que representa menos de 1% da energia elétrica produzida no país.
Todavia, as perspectivas para o futuro são promissoras. A competitividade da energia eólica vem se aproximando das demais fontes. Duas grandes empresas que fabricam equipamentos e componentes para a geração de energia eólica já estão instaladas no país, e diversos estados brasileiros têm elaborado estudos para mapear o potencial eólico em seus territórios.
Em São Paulo não é diferente. A atual matriz energética paulista é uma das mais limpas do mundo, cuja participação de fontes renováveis responde por 55% – em grande parte baseada na utilização de biomassa e energia hidráulica.
O desenvolvimento de novas fontes renováveis de energia, sobretudo a eólica, a solar e a proveniente de resíduos sólidos urbanos, tem pautado as ações do governo estadual no sentido de ampliar a qualidade, a renovação e a diversificação da matriz energética, priorizando as tecnologias de geração de energias limpas e renováveis.
O governo de São Paulo já fez um mapeamento do potencial do Estado para gerar energia pelo vento.
As regiões que mais se destacaram, segundo o levantamento, foram as de Botucatu/Jaú, a faixa entre as cidades de Piedade e Capão Bonito e a área próxima ao Rio Paranapanema.
Nas áreas com potencial eólico, o estudo procurou considerar as diferentes velocidades médias do vento.
Com ventos a seis metros por segundo, há uma área grande, de 7.420 km², em diferentes partes do Estado.
Isso permite uma potência instalada de 30.891 MW, o que equivale a duas ‘Itaipus’. Mas sempre se opera com um terço da potência.
O fator de capacitação é de 33% e, portanto, São Paulo tem, de efetivo, 10 mil MW potenciais.
Na apresentação do atlas eólico, o governo considerou, porém, a velocidade de 6,5m por segundo, existentes em uma área total de 1.134 km², que possibilita 4.734 MW de potência, segundo o secretário.
Para o prefeito de Capão Bonito, Marco Citadini, a informação do potencial de geração de energia eólica é muito positivo e o objetivo é implementar ações voltadas a atrair empresas interessadas em energia limpa.
“No mundo, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, China e Índia são os que mais produzem energia elétrica por fonte eólica. Estes países, em conjunto com Dinamarca, Itália, França e Reino Unido fizeram com que a capacidade mundial instalada crescesse a taxas exponenciais. Para se ter uma ideia, a capacidade mundial instalada saltou de 18 mil MW em 2000 para 190 mil MW em 2010. Vamos trabalhar para que Capão Bonito também explore esse potencial”, destacou Citadini.









