Maria Goretti da Silva, Psicóloga – CRP 06/149116
SerMentes – Reflexões sobre saúde mental
Em meio ao fluxo automático da rotina, muitas vezes seguimos vivendo sem notar o que acontece ao nosso redor e dentro de nós. É nesse espaço de pausa e observação que a saúde mental começa a ganhar voz
Para muitos, pronunciar uma palavra de apenas três letras — o “não” — é uma das tarefas mais complexas da vida. A dificuldade raramente surge por falta de motivos, tempo ou energia, mas sim porque a negativa costuma desembarcar acompanhada de um peso extra: a culpa, o medo de decepcionar e a ansiedade pelo julgamento alheio.
A armadilha do “sim” constante
Desde cedo, somos incentivados a valorizar a gentileza, a colaboração e o suporte ao próximo. Essas são virtudes essenciais para a vida em sociedade. O problema se instala quando passamos a acreditar que acolher as demandas externas deve ser uma regra absoluta, mesmo que o preço cobrado seja o nosso próprio bem-estar.
Com o passar do tempo, dizer “sim” para tudo e para todos cobra uma fatura alta:
- Sobrecarga física e mental;
- Exaustão emocional crônica;
- Ressentimento silencioso;
- A incômoda sensação de estar vivendo apenas para validar as expectativas dos outros.
Na realidade, o receio não está na palavra “não” em si, mas no fantasma da rejeição, do conflito ou de ser mal interpretado. Para evitar esses desconfortos, engolimos nossas próprias necessidades, assumimos responsabilidades excessivas e silenciamos nossa voz.
Estabelecer limites é um ato de respeito
Ao contrário do que o senso comum costuma ditar, aprender a colocar limites não é egoísmo; é uma medida vital de autocuidado. Quando reconhecemos nossas fronteiras e as comunicamos de forma clara e respeitosa, blindamos nossa autoestima e validamos nossas próprias escolhas.
Ser uma pessoa generosa não exige que você se abandone pelo caminho. Romper com o hábito de agradar a todos o tempo todo exige treino, reflexão e, acima de tudo, coragem. No entanto, esse é o passo definitivo para construir conexões mais equilibradas, saudáveis e autênticas.
No fim das contas, aprender a dizer “não” para o que nos desgasta é a única maneira de conseguir dizer um “sim” verdadeiro para o que realmente importa em nossa vida.
Cuidar da saúde mental começa, muitas vezes, com uma simples pergunta:
Como você realmente está cuidando dos seus limites?









